Um relógio inteligente chinês custa muitas vezes metade de um Apple Watch ou de um Galaxy Watch e dura duas ou três semanas com uma carga. O medo de quem compra quase nunca é o relógio em si. É a aplicação. Vem em chinês? Funciona com o meu telemóvel? Os dados ficam onde?
Por isso esta lista tem um filtro a mais do que as de telemóveis. Além de se vender numa loja da União Europeia com garantia europeia e de estar em stock, a aplicação que o acompanha tem de estar disponível em português. Confirmei isso na App Store portuguesa para as três aplicações usadas pelos modelos escolhidos, a Mi Fitness da Xiaomi, a Zepp da Amazfit e a HUAWEI Health.
Ficaram quatro, do mais barato ao mais completo, e em cada um digo onde é que falha.
A resposta curta
- Para a maioria das pessoas com Android, o Xiaomi Redmi Watch 6 NFC. Ecrã grande, GPS, chamadas no pulso e perto de cem euros.
- Para quem quer gastar o mínimo, a Xiaomi Smart Band 10 Pro. Uma pulseira leve, com GPS próprio e que funciona bem com iPhone.
- Para quem tem iPhone ou corre a sério, o Amazfit Active 3 Premium. Vidro de safira, música no relógio e treinador incluído sem pagar mais.
- Para quem quer um relógio a sério, o Huawei Watch GT6 46 mm. Caixa em aço, GPS de dupla frequência e até três semanas de bateria.
A aplicação conta mais do que o relógio
Num telemóvel, a marca decide o aparelho. Num relógio, decide a aplicação onde vai ver o sono, os passos e os treinos durante anos. Se um dia mudar de relógio dentro da mesma marca, o histórico continua lá. Se mudar de marca, recomeça do zero.
- Xiaomi usa a Mi Fitness. Disponível na Google Play e na App Store, em português.
- Amazfit usa a Zepp. Também nas duas lojas e em português. Não confunda com a Zepp Life, que é a aplicação antiga das pulseiras Mi Band.
- Huawei usa a HUAWEI Health. No iPhone instala-se pela App Store, com o nome HUAWEI Health: Europe. No Android não está na Google Play, instala-se pela AppGallery da Huawei. Não é difícil, mas é um passo a mais que convém saber antes de comprar.
Um aviso que vale para todas. O português que confirmei é o da aplicação no telemóvel. No relógio, a língua depende da versão. Os modelos de mercado chinês, vendidos com o mesmo nome, podem vir só com chinês e inglês. Comprando numa loja europeia, o problema não se põe, mas é o mesmo cuidado que expliquei para os telemóveis em versão global ou versão chinesa.
Tabela comparativa
| Redmi Watch 6 NFC | Smart Band 10 Pro | Amazfit Active 3 Premium | Huawei Watch GT6 46 mm | |
|---|---|---|---|---|
| Ecrã | 2,07″ AMOLED, 2000 nits | 1,74″ AMOLED, 2000 nits | 1,32″ AMOLED, 3000 nits, safira | 1,47″ AMOLED, 466 x 466 |
| GPS próprio | Sim | Sim | Sim | Sim, dupla frequência |
| NFC | Sim | Não nesta versão | Sim | Sim |
| Chamadas no pulso | Sim | Não | Sim | Sim |
| Bateria, segundo a marca | Até 24 dias, 12 em uso normal | Até 21 dias, 15 em uso normal | Até 12 dias, 24 h com GPS | Até 21 dias, 12 em uso normal |
| Resistência à água | 5 ATM | 5 ATM | 5 ATM | 5 ATM e IP69 |
| Peso | 31 g | 21,6 g sem bracelete | 38 g | 51,3 g sem bracelete |
| Aplicação | Mi Fitness | Mi Fitness | Zepp | HUAWEI Health |
| Preço a 19/10 | 106,74 € | 67,08 € | 152,47 € | 194,11 € |
Os preços são os da Powerplanet a 19 de outubro de 2026, na cor indicada em cada secção. Noutras cores o preço muda, às vezes bastante. As autonomias são as que as marcas anunciam, e com o ecrã sempre ligado ou o GPS em uso diário descem para menos de metade.
1. Xiaomi Redmi Watch 6 NFC, o que serve a quase toda a gente
Por 106,74 euros na versão preta com NFC, tem o maior ecrã da lista, 2,07 polegadas em AMOLED com 2000 nits de brilho, que se lê bem ao sol. A caixa é em liga de alumínio, pesa 31 gramas e tem dois botões e uma coroa, o que ajuda a mexer nos menus com os dedos molhados ou de luvas.
Tem GPS próprio com cinco sistemas de satélite, por isso dá para correr ou andar de bicicleta sem levar o telemóvel. Atende chamadas pelo relógio, responde a mensagens do WhatsApp e do Telegram e tem mais de 150 modos de desporto. A Xiaomi anuncia 12 dias em uso normal e até 24 em uso leve.
Onde falha. É pensado para Android. A própria loja avisa que com iPhone a compatibilidade é limitada, e funções como responder a mensagens ou ouvir música guardada no relógio ficam só para Android. O NFC serve para pagar com o pulso, mas depende de o seu banco aceitar o serviço da Xiaomi, por isso confirme antes de contar com isso. E repare na variante, porque há versões sem NFC com o mesmo nome e quase o mesmo aspeto.
Ver o preço atual do Redmi Watch 6 NFC
2. Xiaomi Smart Band 10 Pro, a mais barata que vale a pena
Não é um relógio, é uma pulseira, e para muita gente é exatamente isso que faz falta. Pesa 21,6 gramas sem a bracelete e tem 9,7 milímetros de espessura, quase não se dá por ela a dormir. O ecrã AMOLED de 1,74 polegadas tem o mesmo brilho máximo do Redmi Watch 6.
O que a separa das pulseiras de 30 euros é o GPS próprio, que deixa registar uma corrida sem o telemóvel, e a análise do sono mais completa, com variabilidade cardíaca durante a noite. A Xiaomi anuncia 15 dias em uso normal. Funciona com Android e com iPhone, pela mesma Mi Fitness, e liga-se a dois telemóveis ao mesmo tempo, útil para quem tem o pessoal e o do trabalho.
Onde falha. Não tem altifalante nem microfone, por isso não atende chamadas, só avisa. Não tem botões, tudo se faz por toque e gestos. A versão de 67,08 euros não tem NFC; a versão com NFC existe, mas a 19 de outubro só estava à venda na cor prateada, a 80,81 euros, e com pouco stock.
Ver o preço atual da Smart Band 10 Pro
3. Amazfit Active 3 Premium, o melhor para iPhone e para correr
A Amazfit é da Zepp Health, a empresa chinesa que durante anos fez as pulseiras Mi Band para a Xiaomi. A aplicação Zepp é das mais completas que há fora da Apple e da Garmin e trata o iPhone e o Android da mesma maneira, o que nesta lista não é pouco.
Por 152,47 euros na cor Apex Silver, o Active 3 Premium tem vidro de safira, que risca muito menos do que o vidro normal, e um ecrã AMOLED que chega aos 3000 nits. Tem GPS, NFC, chamadas, 4 GB para guardar música e ouvir com auriculares sem levar o telemóvel, e o Zepp Coach, que monta planos de treino à medida sem subscrição. A marca anuncia até 12 dias de bateria e 24 horas seguidas com GPS.
Onde falha. O ecrã é o mais pequeno da lista, e a própria ficha da loja não se entende sobre o tamanho exato, numa parte diz 1,32 polegadas e noutra 1,39. Para quem quer ler mensagens compridas no pulso, sabe a pouco. A bateria é a mais curta dos quatro. E nas outras cores o preço sobe, o azul está a 162,59 euros e o branco a 202,29.
Ver o preço atual do Amazfit Active 3 Premium
4. Huawei Watch GT6 46 mm, o relógio a sério
É o único dos quatro que passa por relógio clássico numa reunião. Caixa em aço inoxidável, 46 milímetros, ecrã AMOLED de 1,47 polegadas e certificação IP69 além dos 5 ATM, ou seja aguenta água com pressão e pó, não só a piscina.
O GPS é de dupla frequência, L1 e L5, o que dá trajetos mais certos entre prédios altos e em zonas de árvores. A Huawei anuncia até 21 dias de bateria, 12 em uso normal e 40 horas com GPS ao ar livre. Carrega sem fios, atende chamadas e mede temperatura da pele, oxigénio no sangue e sono. Por 194,11 euros, faz quase tudo o que faz um relógio do dobro do preço.
Onde falha. A aplicação. No Android, a HUAWEI Health não está na Google Play e tem de ser instalada pela AppGallery da Huawei. Funciona, mas é um passo que assusta quem nunca instalou nada fora da Google Play. Pesa 51,3 gramas sem bracelete, o mais pesado da lista, e num pulso fino nota-se. E a caixa só traz o cabo, sem carregador.
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Os que ficaram de fora, e porquê
- Xiaomi Watch S5 46 mm. Caixa redonda, GPS de dupla frequência e NFC, a 161,62 euros no azul. É uma alternativa séria ao Huawei para quem não quer lidar com a AppGallery, mas a bateria anunciada é mais curta.
- Xiaomi Redmi Watch 6 Active. A 40,65 euros atende chamadas e mostra notificações. Não tem GPS próprio, e foi por isso que ficou de fora.
- KOSPET e Mibro. Aparecem muito nas pesquisas com descontos grandes. São marcas mais pequenas, com aplicações próprias, e não consegui confirmar que estas tenham português. Prefiro não as recomendar enquanto não o confirmar.
O que verificar antes de pagar
- O seu telemóvel. Se tem iPhone, a escolha fica praticamente entre a Smart Band 10 Pro e o Amazfit. Os relógios da Xiaomi e da Huawei funcionam com iPhone, mas perdem funções.
- NFC e banco. Ter NFC no relógio não garante que dá para pagar com ele em Portugal. Isso depende de o seu banco aceitar o serviço de pagamento da marca. Pergunte antes, ou compre a pensar que não vai usar.
- A variante exata. No mesmo nome há versões com e sem NFC, com ecrãs diferentes e preços diferentes. Confirme na página o que está a comprar.
- Onde compra. Numa loja da União Europeia tem três anos de garantia e o IVA já vem incluído. Os pormenores estão em garantia de um telemóvel comprado em Espanha, e vale igual para relógios.
Qual escolher
Se tem Android e não sabe, escolha o Redmi Watch 6 NFC. Faz tudo o que a maioria das pessoas pede a um relógio por pouco mais de cem euros. Se só quer contar passos, ver o sono e receber avisos, a Smart Band 10 Pro chega e sobra. Se tem iPhone ou treina com plano, o Amazfit Active 3 Premium. Se quer um relógio que se usa com fato e aguenta três semanas sem carregar, o Huawei Watch GT6, desde que não se importe de instalar a aplicação pela AppGallery.
Esta lista é revista todos os meses. Se um modelo esgotar ou o preço subir muito, sai.
Perguntas frequentes
Os smartwatches chineses funcionam com iPhone?
Funcionam, mas com diferenças. A Amazfit e a pulseira da Xiaomi tratam o iPhone quase como o Android. Nos relógios da Xiaomi e da Huawei perde funções, sobretudo responder a mensagens e ouvir música guardada no relógio.
A aplicação está em português de Portugal?
As três aplicações desta lista aparecem com português na App Store portuguesa. A loja não distingue entre o português de Portugal e o do Brasil, por isso pode encontrar uma ou outra palavra à brasileira.
Preciso de pagar alguma subscrição?
Não para usar nenhum destes. A Mi Fitness, a Zepp e a HUAWEI Health são gratuitas e mostram os dados todos sem pagar. Há extras pagos em algumas, mas não são precisos para o dia a dia.
Smartwatch ou pulseira de atividade?
Se quer atender chamadas no pulso, pagar com o relógio ou ver mapas, smartwatch. Se quer sobretudo passos, sono e notificações, uma pulseira é mais leve, mais confortável a dormir e mais barata.
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