ESCRITO EM PORTUGAL

O que muda mesmo quando compra fora das grandes cadeias

Redmi, Poco ou Realme, qual faz mais sentido para si

Redmi, Poco e Realme parecem o mesmo telemóvel com outro nome. Quem está por trás de cada marca, como se leem as gamas e três modelos à volta de 300 euros lado a lado.

Este artigo tem links para lojas parceiras. Se comprar por lá recebo uma pequena comissão e o preço para si é o mesmo. Preços e especificações confirmados na página da loja, na data indicada.

Três telemóveis lado a lado numa mesa

Quem procura um telemóvel chinês bom e barato acaba quase sempre no mesmo sítio, com três separadores abertos. Um Redmi, um Poco e um Realme, com preços parecidos, ecrãs parecidos e baterias enormes. À primeira vista parecem o mesmo telemóvel com outro nome.

Em parte são. Mas cada marca tem uma lógica própria, e perceber essa lógica poupa horas a comparar fichas. Neste artigo explico quem está por trás de cada uma, como se leem os nomes das gamas e ponho lado a lado três modelos à volta dos 300 euros que estão hoje à venda com entrega em Portugal.

A resposta curta

  • Redmi é a escolha segura. É a gama que a Xiaomi faz para vender em massa, com equilíbrio entre ecrã, câmara e bateria, e é a que tem mais modelos e mais acessórios à venda.
  • Poco é para quem quer mais potência e carregamento mais rápido pelo mesmo dinheiro. Também é Xiaomi, vende sobretudo online e costuma poupar no design e nos extras.
  • Realme é a alternativa fora da Xiaomi. Aposta no design, em ecrãs rápidos e em baterias grandes, e vale a pena olhar quando aparece com desconto.

Quem é quem

Redmi e Poco são duas marcas da mesma empresa, a Xiaomi. Partilham o software, a assistência e, muitas vezes, boa parte do hardware. Não é raro um Poco e um Redmi da mesma geração terem o mesmo ecrã ou a mesma bateria por dentro, com outra carcaça e outro preço.

A diferença está no público. A Redmi quer agradar a toda a gente e está nas prateleiras das grandes lojas. A Poco nasceu para os entusiastas que comparam processadores e querem o máximo de desempenho por euro, e por isso vende quase só online.

A Realme é outra empresa. Nasceu em 2018 a partir da OPPO e tem o seu próprio sistema, o Realme UI, em vez do HyperOS da Xiaomi. Isto pesa mais do que parece, porque o sistema é aquilo com que vai viver todos os dias, muito depois de se esquecer de quantos megapíxeis tinha a câmara.

Como se leem os nomes das gamas

As três marcas usam letras e palavras para separar as gamas, e quem percebe o código consegue situar um modelo em segundos. Esta é a arrumação que se vê hoje no catálogo.

EntradaMeioTopo da marca
RedmiRedmi A, Redmi C e Redmi com número (Redmi 17)Redmi Note e Note ProRedmi Note Pro+ e Pro Max
PocoPoco CPoco MPoco X e Poco F
RealmeRealme Note e Realme CRealme com número (Realme 16) e Realme PRealme Pro, Pro+ e GT

Duas regras ajudam. Dentro da mesma marca, o número maior é o mais recente, por isso um Redmi Note 17 é mais novo que um Note 15. E as palavras Pro, Plus e Max querem dizer mais caro, mas não dizem sempre o quê. Às vezes é a câmara, às vezes é só a bateria. Vale sempre a pena comparar a ficha e não o nome.

Três modelos à volta de 300 euros, lado a lado

Para a comparação ser justa, escolhi um modelo de cada marca na mesma faixa de preço, todos com versão global, NFC para pagamentos e em stock numa loja da União Europeia que entrega em Portugal.

Redmi Note 17 5GPoco M8 Pro 5GRealme 16 5G
Ecrã6,99″ AMOLED, 120 Hz6,83″ AMOLED, 120 Hz6,57″ AMOLED, 120 Hz
ProcessadorSnapdragon 4 Gen 4Snapdragon 7s Gen 4Dimensity 6400 Turbo
RAM e armazenamento6 GB e 256 GB8 GB e 256 GB8 GB e 256 GB
Câmara principal50 MP50 MP50 MP
Bateria7700 mAh6500 mAh7000 mAh
Carregamento45 W100 W60 W
NFCSimSimSim
Preço a 18/10269,37 €294,78 €303,95 €

Os dados são os das fichas da Powerplanet a 18 de outubro de 2026, na versão indicada. Os preços mexem todas as semanas, servem para comparar entre eles e não como promessa.

A tabela mostra bem a personalidade de cada marca. O Redmi é o mais barato e o que tem a maior bateria e o maior ecrã, mas tem o processador mais modesto, menos memória e o carregamento mais lento dos três. O Poco põe o dinheiro no processador, no carregamento de 100 W e na memória, e corta na bateria. O Realme é o mais compacto, com o ecrã mais pequeno, e fica no meio em tudo o resto.

Redmi Note 17 5G, para quem quer bateria e ecrã grande

É o que faz mais sentido para a maioria. Quase 7 polegadas de AMOLED e 7700 mAh dão para ver séries e chegar ao fim do dia com folga, mesmo com uso pesado. O processador, um Snapdragon 4 Gen 4, é o mais fraco dos três. Chega para WhatsApp, redes sociais e vídeo, mas não é telemóvel para jogos exigentes. Os 256 GB de armazenamento evitam a falta de espaço que é o defeito clássico dos telemóveis baratos. O preço a pagar é o carregamento de 45 W, que com uma bateria deste tamanho demora mais a encher.

Ver o preço atual do Redmi Note 17 5G

Poco M8 Pro 5G, para quem odeia esperar pelo carregador

Os 100 W de carregamento são o grande argumento. Numa pausa para café ganha uma boa parte da bateria, e isso compensa os 6500 mAh, que continuam a ser muitos. Tem também o processador mais forte do grupo, um Snapdragon 7s Gen 4, e 8 GB de RAM, por isso é o que melhor aguenta jogos e muitas aplicações abertas. Atenção a um pormenor, para chegar aos 100 W precisa de um carregador compatível da Xiaomi.

Ver o preço atual do Poco M8 Pro 5G

Realme 16 5G, para quem prefere um telemóvel mais pequeno

Com 6,57 polegadas é o mais fácil de usar com uma mão, numa altura em que quase tudo passou das 6,8. Mesmo assim leva 7000 mAh de bateria, o que não é comum num aparelho deste tamanho, e carrega a 60 W. O processador, um Dimensity 6400 Turbo, fica a meio caminho entre os outros dois. É também a forma de fugir ao HyperOS, para quem já teve um Xiaomi e não gostou do sistema.

Ver o preço atual do Realme 16 5G

O que vale para as três marcas

  • Compre sempre a versão global. As três vendem modelos para a China com nomes muito parecidos. Explico como as distinguir em versão global ou versão chinesa.
  • Confirme a banda 20. É ela que dá rede fora das cidades em Portugal. Os modelos globais destas marcas costumam tê-la, mas confirme sempre, como explico no artigo sobre a banda 20.
  • Conte com aplicações pré-instaladas. Nos modelos mais baratos das três vêm jogos, lojas alternativas e sugestões que nunca pediu. Desinstalam-se ou desligam-se nas definições em dez minutos, mas convém saber que existem.
  • A garantia é a mesma. Comprado numa loja da União Europeia, tem três anos de garantia legal, seja qual for a marca. Explico tudo no artigo sobre a garantia de um telemóvel comprado em Espanha.

Qual escolher

Se não tem nenhuma preferência forte, vá pela Redmi. É a gama com mais escolha, mais acessórios e mais gente a usar, o que quer dizer mais ajuda quando tiver uma dúvida. Se sabe exatamente o que quer e o que mais lhe custa no telemóvel atual é esperar que carregue, a Poco dá mais por menos. Se já teve um Xiaomi e não gostou do sistema, ou quer um aparelho mais pequeno, a Realme é a alternativa natural.

E se o orçamento for mais curto ou mais largo do que isto, tenho listas fechadas por preço, com os melhores telemóveis até 200 euros e os melhores até 350 euros.

Perguntas frequentes

A Poco é da Xiaomi?

Sim. A Poco começou como submarca da Xiaomi e continua a usar o sistema, a assistência e muitas peças da Xiaomi. Na prática, um Poco é um Xiaomi com outro nome e outra estratégia de preço.

A Realme é da Xiaomi?

Não. A Realme é uma empresa separada, nascida a partir da OPPO. Tem sistema próprio e assistência própria.

Mais megapíxeis quer dizer melhor câmara?

Não. Os três modelos deste artigo têm 50 MP e vão tirar fotografias diferentes. O tamanho do sensor, a estabilização e o processamento contam muito mais do que o número que aparece no nome.

Alguns links deste artigo levam a lojas parceiras. Se comprar por eles, o GadgetLusa pode receber uma comissão, sem custo extra para si. Isso não muda a ordem nem o que digo de cada aparelho. Mais em divulgação de afiliação.

Fotografia de Dann Felix

Dann Felix

Brasileiro a viver em Portugal. Trabalho com tecnologia e marketing digital e escrevo aqui sobre telemóveis e gadgets chineses vistos de cá, com a lei portuguesa e as redes portuguesas em mente.

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